Vacinas, Verdades e Mitos

Clique nas abas abaixo para aprender o quê você deve saber sobre vacinas e vacinação.

A vacinação de cães deve ser iniciada a partir dos 45 dias de vida, período no qual a imunidade transmitida pela mãe está terminando.

O cronograma de vacinação deve ser seguido rigorosamente em dia, pois é garantia de preservar a saúde do seu filhote, evitando que ele se contamine com doenças que podem levar à morte.

O esquema de vacinação pode variar de acordo com a região onde você se encontra. Porém, lembre-se que independente de onde esteja, o médico veterinário é o único profissional habilitado a elaborar um correto programa de vacinação, bem como avaliar as condições de seu filhote, verificando se ele está apto a receber a vacina.

Seu cãozinho deverá receber proteção contra várias doenças:

  • Cinomose
  • Hepatite Infecciosa
  • Parvovirose
  • Coronaviros
  • Leptospirose
  • Parainfluenza
  • Raiva
  • Traqueobronquite Infecciosa

Dúvidas frequentes:

Posso dar água antes da vacina?
Sim
E depois?
Sim
Posso dar comida antes da vacina?
Sim
E depois?
Sim
A vacina tem efeito imediato?
Não

Muitas vezes os proprietários de cães demonstram uma enorme ansiedade no que diz respeito ao fim do esquema de vacinação, pois querem sair de casa com seus cães o mais cedo possível.

As vacinas não apresentam um efeito protetor imediato, pois o sistema imunológico do cão também não funciona de forma instantânea.

Vamos entender melhor como seu cão consegue proteção por meio das vacinas?

A vacina nada mais é do que a indução no organismo do animal de partículas (antígenos) da doença, que irão estimular o sistema imunológico a produzir células de defesa (anticorpos) contra esta doença específica.

Mas, num primeiro instante, ou seja, na primeira dose da vacina, o organismo inicia um processo de reconhecimento desta partícula e começa a produzir células específicas de proteção. Porém, essas células ainda não são tão específicas e funcionais como os anticorpos, com uma capacidade restrita de proteção ao seu cão.

Com a aplicação da segunda dose, estas células se transformarão em anticorpos, que irão exercer a proteção do seu cão ainda de uma forma insuficiente. A aplicação da terceira dose irá elevar os níveis dos anticorpos circulantes no organismo do cão a um número suficiente para a proteção imunológica por um período de um ano, quando se reiniciará o processo de vacinação.

O espaço de tempo que o organismo varia para responder à presença dos antígenos pode variar de animal para animal. Em média, cada estimulação (dose vacinal) leva cerca de 5 a 10 dias para obter resposta.

Outra coisa muito preocupante é o fato das pessoas acreditarem que seus animais de estimação (filhotes) estarão protegidos assim que receberem a primeira dose da vacina. Ou quando vão às feiras de filhotes e ao verem a carteirinha com a primeira vacina, sentem-se tranquilos em relação ao novo membro da família.

Pois bem, isto é história pra boi dormir, e quem não orienta corretamente estará ludibriando, enganando, estará induzindo ao erro e, portanto, ferindo o código do consumidor. Isto vale para qualquer um que trabalhe com animais de estimação (veterinários, criadores e vendedores).

O que ocorre é o seguinte: o filhote tomou hoje a primeira dose. O organismo dele só vai começar a produzir células de defesa (anticorpos) daqui a uns 15 a 21 dias. Coincide com o reforço (feito 30 dias após a primeira dose). Este período chama-se janela imunológica.

Somente após o segundo reforço ou terceira dose é que o indivíduo terá nível de anticorpos suficientes para impedir um possível desenvolvimento de doenças.

Então, vamos raciocinar juntos: estamos em uma feira de filhotes, onde a maioria só tem a primeira dose. Este filhote está em um ambiente conturbado, estressante, promíscuo (em termos de microorganismos infecto-contagiosos), é colocado em “caixas” para serem transportados várias vezes, até conseguir ser vendido (bem no estilo de mercadoria emperrada).

Como você percebe, a imunidade, a resistência orgânica deste filhote… aquela dose da vacina vai adiantar de alguma coisa? Creio que não. Principalmente se a data da aplicação estiver dentro da “janela imunológica”.

Quando vocês ouvem o veterinário dar as orientações básicas (não sair em parques, não ter contato com outros cães, etc., até a última vacina) ele o faz com intenção de diminuir o risco de doença, jamais anular este risco.

Vários fatores estão envolvidos na proteção do filhote, até ele receber a última dose: ração de alta qualidade, desverminação, controle de pulgas, ambiente agradável, com muito carinho e afeto.

Quando você leva o seu cão para tomar vacina, sabendo que existe a óctupla e a déctupla, você irá escolher a déctupla. E o que te leva a escolher desta forma é: você, errôneamente, pensa que seu animal de estimação estará sendo protegido contra 10 (déctupla) doenças, enquanto que a óctupla o protegerá contra 8 doenças.

Saibam que tanto uma quanto a outra, na realidade, irão proteger contra cinco doenças:

  • parvovirose
  • cinomose
  • hepatite
  • coronavirose
  • leptospirose

Então de onde vem esses termos: óctupla e déctupla?

Eles se referem ao número de microorganismos existentes nas vacinas, que irão proteger contra as mesmas cinco doenças. Os dois microorganismos a mais existentes na “déctupla” referem-se à doença da leptospirose.

Mas é aquela na qual o cão se contamina através dos porcos. Como estamos em uma região altamente urbanizada, raramente existem pessoas criando porcos no quintal de casa. Não vejo necessidade de ficar injetando mais dois microorganismos contra esta doença.

Mas, se morar ou viajar para alguma região onde existem porcos criados no quintal de casa (região metropolitana, rural, etc,), daí sim vejo utilidade injetar mais dois agentes biológicos em seu animal de estimação.

O termo correto para estas vacinas, óctupla e déctupla, é polivalente.

Perguntas e respostas mais freqüentes sobre vacinas:

A vacina pode ser conservada no congelador ou fora da geladeira?
Não. Pode ocorrer perda na potência da vacina, sendo recomendado não aplicá-la. Se já tiver sido aplicada, não fará mal, mas pode não proporcionar estímulo imunológico adequado, como deveria. O produto corretamente armazenado deve ficar sob refrigeração, entre 2º e 8ºC. Todo produto biológico é sensível ao choque térmico, portanto devemos evitar o congelamento/descongelamento das vacinas na armazenagem ao uso do produto.
Qual a diferença entre vacinas importadas e nacionais?
Ambas são feitas com o mesmo objetivo, imunizar os animais. Hoje, com o acesso brasileiro às modernas tecnologias, a qualidade dos produtos nacionais se equivale aos produtos importados. Todos os produtos são licenciados e autorizados para sua comercialização pelo Ministério da Agricultura.
A bula informa que a vacina de raiva pode ser aplicada pela via intramuscular. Como aplicar em cães ou gatos?
Esta recomendação é mais para bovinos e eqüinos. Em cães e gatos, pode ser feita via subcutânea.
Qual a idade para aplicar a vacina contra raiva?
A partir de 4 meses de idade (em todas as espécies).
Posso aplicar a vacina anti-rábica junto da óctupla?
Sim, desde que o animal tenha mais de 4 meses de idade e que seja feita cada aplicação de um lado do dorso do animal. As duas vacinas devem ser aplicadas independentemente. Nunca misturar as duas na mesma seringa.
Após 3 doses de vacina, o cão adoeceu (ou morreu). Por que a vacina não funcionou?
Para a vacina funcionar são necessários 3 fatores: animal em ótimo estado de saúde, aplicação correta e vacina de boa qualidade e bem conservada. Quando há problema com a vacinação, não quer dizer que a falha foi da vacina. A vacina é um dos fatores, mas há vários outros que devem ser considerados. O esquema vacinal só está completo com 3 a 4 doses de vacina, aplicadas nas idades e intervalos corretos, sendo que a proteção máxima em alguns animais ocorre aos 4 meses de idade ou mais. Antes disso, infelizmente alguns animais estão passíveis de adoecer. Além disso, nenhuma vacina é 100% eficaz.
Um cão com mais de 4 meses de idade que nunca foi vacinado precisa tomar as 3 doses de vacina?
Não. Caso ele tenha mais de 4 meses pode tomar apenas duas doses, com intervalo de 21 a 30 dias entre elas. Esse procedimento também deve ser tomado caso se adquira um animal que não possui o histórico documentado de vacinação. Em locais em que reconhecidamente esteja ocorrendo um alto índice de doenças como cinomose ou gastroenterite hemorrágica, recomenda-se as 3 doses normais.
Qual é a idade que se deve iniciar a vacinação dos cães?
Depende de vários fatores. Normalmente,  inicia-se a partir das 9 semanas de idade, se os filhotes mamaram o colostro nas primeiras semanas de idade. Caso contrario, poderá ser antecipada aos 45 dias de vida.
Quais são as principais doenças infecto-contagiosas, que acometem os cães jovens, passíveis de prevenção com o uso de vacinas?
De acordo com as estatísticas são a parvovirose e a cinomose.
Vacinas com títulos excessivos são melhores do que as outras?
Sim, no caso de vacinas aplicadas precocemente, em especial para filhotes de 45 a 60 dias de idade, pois os anticorpos maternos recebidos poderão interferir com os vacinais.
Pode-se vacinar fêmeas gestantes?
Não é aconselhável pois a cadela gestante ou no cio apresenta uma imunodepressão devido à alta de hormônios circulantes em seu organismo. Sua resposta à vacina não será satisfatória, portanto é melhor deixar passar o período da gestação para fazer a vacina. Não existem relatos de má-formação fetal devido à utilização de vacinas em fêmeas prenhes.
Devo utilizar uma vacina só contra parvovirose?
Esta vacina monovalente, ou seja, possui apenas um antígeno, é indicada especialmente em regiões com alta incidência de casos de parvovirose canina. Deve ser utilizada como complemento do esquema de vacinação usual, a critério do médico veterinário.
Quais fatores influenciam no sucesso ou falha vacinal?
  1. relacionados ao hospedeiro: imunossupressão; anticorpos; maternos; idade; gestação/cio; febre ou baixa temperatura corporal; doença incubada no momento da aplicação; parasitoses e estado nutricional; stress; causas congênitas
  2. fatores da vacina: vacinas não protegem 100%; cepas diferentes (vacinal e de campo); massa antigênica; insuficiente; atenuação demasiada da cepa
  3. erros humanos: inativação durante o manejo; armazenagem inadequada; desinfetantes usados em agulhas ou seringas; exposição ao agente natural da doença na época da vacinação; administração muito freqüente (menos de 2 semanas de intervalo)

Verdades e mentiras sobre vacinas e vacinação.

Em filhotes pequenos, 95% de sua imunização é obtida através do consumo do colostro, que é o primeiro leite produzido pela mãe durante um tempo curto logo após o nascimento.
VERDADE: Se a mãe é imunizada contra as principais doenças infecciosas caninas, seus filhotes também irão se proteger por 6 a 16 semanas após o nascimento se eles consumirem o colostro logo após o nascimento.
Fêmeas revacinadas antes da cobertura passam mais anticorpos para seus filhotes pelo colostro do que as fêmeas não vacinadas.
VERDADE: Quanto mais alta for a concentração de anticorpos contra doenças infecciosas na mãe, maior será a proteção que ela passará para seus filhotes. A revacinação causa um aumento na produção de anticorpos maternos.
Enquanto estão presentes, os anticorpos recebidos da mãe não vão interferir com a vacinação permanente dos filhotes.
MENTIRA: Os anticorpos recebidos da mãe vão interferir na produção de anticorpos produzidos pelos filhotes por algumas semanas após o nascimento.
A via de administração (usualmente intramuscular ou subcutânea) não tem efeito no nível de proteção produzido em cães com idade para serem vacinados.
MENTIRA: O efeito da via de administração na resposta vacinal depende da vacina que é aplicada. Por exemplo, a vacina anti-rábica é mais efetiva se for administrada pela via intramuscular do que a via subcutânea. Com a vacina contra Cinomose, ambas as vias são igualmente efetivas.
Cães idosos(mais de sete anos de idade) podem ter uma diminuição na habilidade de produzir anticorpos após vacinação, então devem ser revacinados anualmente.
VERDADE: Cães idosos não produzem anticorpos vacinais tão bem como cães mais jovens. A duração da proteção com uma vacinação única será mais curta em animais idosos. A revacinação anual impede que os níveis de anticorpos de proteção diminuam deixando o animal exposto a doenças.
A vacinação de animais que já estão doentes, irá prevenir a progressão da doença.
MENTIRA: A vacinação de animais doentes não irá prevenir a progressão da mesma, pois os anticorpos vacinais demoram vários dias até atingirem níveis de proteção que impeçam a progressão da doença. 7 dias a duas semanas são necessários para que o organismo produza quantidades suficientes de anticorpos para proteger os animais contra as doenças. Os anticorpos devem estar presentes antes da exposição do paciente ao agente causador da doença.
Filhotes vacinados devem ser protegidos do frio, pois a friagem reduz a quantidade de anticorpos produzidos após a vacinação.
VERDADE: Pesquisas recentes em ninhadas separadas por sexo, idade e peso, demostraram níveis significativamente maiores de anticorpos em filhotes que não ficaram expostos ao frio durante o tempo de formação de anticorpos após a vacinação.
Cães não devem ser vacinados contra Cinomose, Hepatite, Leptospirose, Parainfluenza e Parvovirose, pois eles irão adquirir naturalmente imunidade.
MENTIRA: Todas as doenças citadas acima podem ser fatais. Quando o animal se recupera de uma desta doenças, o seu organismo pode realmente ficar imune a esta doença, mas as lesões nos orgãos e sistemas pode ser tão severas que podem predispor o animal a ter inúmeras outras doenças.