CÃES QUE BRIGAM / POR QUE ? O QUE FAZER ?

Cães que brigam
Por Claudia Pizzolatto

Existem diversas razões para brigas entre cães, mas a mais comum delas, e a que causa mais problemas para quem tem mais de um cachorro em casa, é devido à organização hierárquica entre eles. Para começar a entender por quê cães que moram numa mesma casa brigam, é preciso primeiro entender como funciona e porque é tão importante a hierarquia para eles. Por séculos convivemos com os cães e os chamamos de melhor amigo do homem. Mas será que conhecemos, realmente, nossos melhores amigos? Será que nós, humanos, entendemos o que se passa na cabecinha destes maravilhosos animais? Como eles se organizam e como percebem o mundo?

A maioria das pessoas não têm a menor idéia de como funciona o mundo dos cachorros. Para começarmos a entender esses peludinhos precisamos saber que cães são animais sociais. Eles precisam e querem conviver numa família, seja esta família canina ou humana. Outra característica importante no mundo dos cachorros é forma hierárquica com que eles se organizam. Para os cães não existe igualdade. Nem eles querem que exista. Quando um cachorro vive com um grupo de outros cachorros, seja no fundo do quintal, seja no meio do mato, sempre haverá um líder. Os outros membros da matilha também estão subordinados uns aos outros, de forma que os mais fortes e dominantes podem mais, e os mais submissos podem menos. Quando cada um sabe o seu lugar dentro do grupo, dificilmente irão ocorrer brigas. Quando elas ocorrem são normalmente passageiras e significam que um cachorro que ocupa uma posição inferior está tentando subir um degrau na hierarquia do grupo. As causas mais comuns para as brigas são quando o líder da matilha fica muito velho ou doente, ou entre cachorros de mesmo sexo e mesmo porte que se acham capazes de desafiar um ao outro.

Ao líder da matilha caberá manter a ordem, a disciplina e a segurança dos outros cães. Também é dele que partem as ordens de vigilância do território ou o comando de ataque a uma presa. O líder nunca descansa, está sempre alerta, com as orelhas bem em pé e parecem sempre estar andando nas pontinhas dos dedos. Carregam a cabeça alta, fazem ar de importante, mantêm o rabo bem alto e majestoso, sem falar no olhar intimidador que ele lança para os cães mais desavisados que ousam interferir no seu sossego.

Aos subordinados cabe ajudar o líder nas caçadas, defender o território, ajudar a cuidar dos filhotes e, principalmente, obedecer ao líder, que sempre escolhe o melhor lugar para dormir, a maior porção de comida, para que lado eles vão passear e investigar, quando parar para descansar e quando iniciar um ataque.

O que para nós parece maldade ou tirania, para os cães é apenas a natureza e a forma como eles sobrevivem. Cachorros não pedem, não negociam, não dão uma segunda chance. Nem tampouco eles contam até três. Se você já entendeu esta parte, aí vão mais algumas considerações que podem ajudar a entender e a enfrentar este problema. Normalmente os cachorros que vivem numa matilha estável (sempre os mesmos "moradores") não ficam disputando a liderança o tempo todo porque o líder nem dá este tipo de confiança para os cachorros mais submissos. Quando a matilha é estável o líder é líder e pronto.

Problemas podem acontecer quando novos cães são incluídos na matilha pelos seres humanos (dificilmente acontece na natureza de um cachorro estranho se juntar a uma matilha já estabelecida. O grupo só cresce quando nascem filhotes). Quando os filhotes nascem, os pequenos jogos entre eles já vão dizendo quem vai ser o próximo líder. A briga só acontece quando o filhote líder (agora já adulto) começa a testar o velho líder para ver se ele já está velho e cansado o bastante para ceder o posto. No entanto, ao contrário do que possa parecer, o líder da matilha não é líder só porque ele "bate" nos outros cachorros. O líder é líder por muitas razões, a menor delas é a força física contra os membros da matilha. Afinal, se fosse só por medo, a matilha toda poderia tornar o líder um proscrito e com certa facilidade. Dificilmente o líder tem que ficar se impondo. Ele é o mais forte, o mais decidido e o que comanda naturalmente. Os outros o seguem por respeito.

Se por um lado os cães não demoram muito nem têm muita dificuldade para estabelecer a regra do jogo entre eles, por outro, os donos mesmo sem saber estimulam disputas "protegendo" o menos dominante e brigando com o mais dominante. Por que eles começam a brigar? Porque quando o dono protege o menos dominante a mensagem que ele está passando é que espera que o mais fraco domine o mais forte ("vai lá pequenininho, eu estou aqui e vou te dar todo apoio"). Enquanto isso o mais forte fica tentando provar para o dono que ele é o mais qualificado para a posição, e a melhor maneira para provar isto é dar uma "surra" no mais fraco.

É uma tendência natural do ser humano (não do cachorro) querer equilibrar as relações, tentando fazer com que todos se sintam bem e que tenham os mesmos direitos. Para evitar maiores conflitos entre os peludos é preciso aceitar que existem certos privilégios, de acordo com a posição hierárquica que cada um ocupa, que devem ser respeitados (pelo menos para o cão isto é muito importante). Um deles é a proximidade física do líder (especialmente notada quando os líderes são os humanos). O apoio não vem do líder, parte do cão mais dominante a decisão de manter o mais submisso meio afastado do líder.

É um engano pensar que cachorros precisam ser tratados com igualdade e que eles se sentem infelizes quando são "deixados um pouquinho" de lado. Nem todos os cães nascem para serem líderes, muitos são submissos por natureza. Um outro ponto é que ser líder não é uma atividade muito fácil. O cão tem que cuidar da segurança do grupo (ele nunca dorme direito, está sempre alerta), ele tem que promover as caçadas, afastar intrusos, manter a ordem, etc. É muito mais relaxante para os outros cachorros ocupar posições menos importantes. Uma vez que tudo esteja claro eles vivem muito bem.

O problema é quando a gente bagunça isso, ou quando dois filhotes nascem geneticamente dominantes. A raça do cachorro também pode ser um fator de forte influência na freqüência em que vão ocorrer brigas entre os cães. Embora qualquer cachorro possa arranjar encrenca com outros cães (na maioria das vezes do mesmo sexo), nos casos dos terriers (inclusive o American Pit Bull) isto e' um fato consumado. A socialização do filhote sempre ajuda a diminuir muito esta tendência para brigas, mas com algumas raças não é totalmente seguro e garantido deixar duas fêmeas, ou dois machos juntos sem supervisão.

Um outro ponto que vale a pena lembrar é que nem sempre a dominância é estabelecida pelo cão mais velho, nem mesmo por quem chegou primeiro no território, embora esta pareça ser a regra geral. Alguns cães são simplesmente mais dominantes geneticamente do que outros. São líderes natos e não importa quem chegue, quando chegue, onde chegue, ou o tamanho que tenha, estes cãezinhos irão subjugar e seduzir os outros cães pelo poder. Quando se tem dois cachorros brigando na mesma casa é preciso fazer algumas alterações na nossa rotina para poder ajudá-los a se ajustar.

Primeiro identifique quem é o cão mais dominante e portanto com maior propensão para assumir a liderança. Fique de olho sempre que eles estiverem juntos e vá vendo como eles se comportam. Se um aceitar bem as correções do outro (geralmente o mais velho vai ser o mais dominante), dificilmente vão haver grandes confrontos enquanto o mais novo não atingir a maturidade (mais ou menos 2 anos). Deixe que os cães estabeleçam quem é o dominante e quem é o dominado e aceite este arranjo entre eles. De comida, fale, brinque, faça festa e qualquer outra coisa, sempre para o mais dominante primeiro.

Não tenha pena de deixar o mais submisso em segundo plano. Para os cães isso é a lei natural das coisas e eles aceitam bem a hierarquia, desde que ela esteja bem definida. Coloque-os para comer em tigelas separadas e ofereça primeiro a comida do mais dominante. Evite grande sinais de mimos para o menos dominante na frente do mais dominante. Deixe bem claro que você é, e será sempre, o líder máximo e que não tolerará brigas entre eles. Se as brigas forem poucas e nada sérias deixe que eles se entendam. Se as "ranhetações" estiverem incomodando, brigue com o mais submisso e nunca com o mais dominante, mas não admita, em hipótese nenhuma, que ele (o mais dominante) desobedeça as suas ordens, mesmo que seja para dar uma dentadinha no mais submisso..

A castração pode ajudar bastante mas deve ser realizada sempre de baixo para cima, ou seja, do mais submisso para o mais dominante. Um outro exercício que ajuda bastante (principalmente para que a introdução de um novo cachorrinho aconteça sem muitos tropeços) é levar os cães para passear na rua, em local neutro. Cada um deve ir com uma pessoa, o mais dominante sendo levado pela pessoa que é mais respeitada e que seja o líder.

Procure deixar os cães andarem lado a lado, com uma ligeira vantagem para o cachorro mais dominante ir na frente. Repita este exercício todos os dias. Ao chegar em casa libere da coleira primeiro o cachorro mais dominante e depois o mais submisso. Deixe eles descansarem juntos. E finalmente, procure não separar os cães, a menos que eles ofereçam perigo uns para os outros (exceção para os cães cujas raças são conhecidas e criadas pela sua agressividade contra cães do mesmo sexo. Com estes todo o cuidado é pouco). Cães separados por muito tempo, e que já possuem um histórico de brigas, podem se tornar extremamente territoriais e, dependendo do caso, fica impossível juntá-los novamente.
Brigas, brigas e mais brigas.
O que aconteceu com nossas matilhas?
A vida toda ouvimos que cães são animais de matilha, programados geneticamente para viver em grupo, respeitar hierarquia e seguir um líder. Então, porque de uns tempos para cá, temos recebido tantas mensagens e telefonemas de donos desesperados por causa de brigas entre seus cães? Machos, fêmeas, até filhotes da mesma casa resolveram não viver mais em harmonia, e estão deixando seus donos preocupados e sem ação. O que pode estar acontecendo? O que pode estar levando nossos cães a se odiarem? O objetivo deste é discutir algumas destas questões, e propor medidas para tentar trazer a paz de volta a nossos lares.
Bem, se antigamente não víamos tantas brigas, a primeira pergunta é: o que mudou, digamos, nos últimos 15 anos? Muita coisa. O mercado pet é um dos que mais cresce em todo o mundo, e aqui no Brasil houve uma verdadeira explosão. Temos mais produtos, mais serviços, mais facilidades, e obviamente mais pets.
Isso nos leva ao primeiro ponto a ser observado: as pessoas hoje têm mais cães. Não só quem já tinha tem maior número, como quem não tinha passou a ter. Muitos dos motivos que levavam as pessoas a não terem cães não existem mais. Hoje temos rações completas a preços acessíveis; passeadores, treinadores, babás, hotéis e creches para cães; banhos e tosas em casa ou na pet shop com “delivery”; veterinários em casa e clínicas 24 horas. Ou seja, muito mais facilidade para se manter o peludo saudável e feliz mesmo se tendo pouco tempo para ele.
Chegamos à segunda mudança: menos tempo. Acho que ninguém discorda que nossa vida hoje é bem mais corrida do que há 10 anos, e que o tempo que temos para dedicar a nossos peludos muitas vezes é menor. Neste pouco tempo, queremos carinhos, chamegos e brincadeiras com eles. Isso nos leva ao...
Ponto três: menos disciplina e menos exercícios. Quem tem tempo para aulinhas de obediência? Quem tem tempo para longas caminhadas diárias, ou para andar de bicicleta ou para ir a um parque jogar bolinha com o cachorro por horas? O que mais ouço de donos é: ”mas eu trabalho duro o dia todo, quero chegar em casa e somente relaxar com meus cachorros!”
Por fim, pelo menos para quem vive nos grandes centros: nossas casas estão cada vez menores e temos muito mais apartamentos, ou seja, os cães têm menos espaço e ao mesmo tempo estão muito mais próximos de nós do que antigamente. Hoje são nossos bebês que dormem no quarto, e não mais os “vigias” da casa que moram no quintal. São tratados como membros da família, com direito a todos os mimos, e não como ajudantes ou ferramentas de trabalho que só precisam ser mantidos saudáveis.
Resumindo: mais cães, menos tempo, menos espaço, menos disciplina, menos exercícios, mais carinho e mais proximidade dos humanos.
Agora vamos guardar estas informações para o futuro e mudar nossa atenção para: quem são nossos cães.
Cães em seu estado natural (os raros canídeos selvagens ou semi-selvagens) são animais de matilha, mas muito mais por necessidade do que por escolha. Um cão sozinho é fraco, não caça boas presas e fica vulnerável a predadores/agressores. Na natureza cães precisam uns dos outros para sobreviver, eles caçam em grupo e protegem uns aos outros. Quando há uma briga séria, o perdedor se submete ao líder, vai embora ou morre. Ou seja, eles vivem cansados, com pouca comida, precisam se proteger e só têm a companhia uns dos outros.
Agora voltemos aos nossos cães. Apesar da genética ser semelhante aos daí de cima, eles: têm proteção e comida a vontade e de graça, uma cama gostosa onde podem dormir o dia todo, e um dono que lhes dá atenção e carinho sem exigir nada em troca. Nem fazer o trabalho para o qual sua raça foi selecionada ele precisa mais! É só relaxar e aproveitar a vida.
Convenhamos ... quem vai querer dividir isso com alguém? Porquê?!? O mais natural é querer guardar esta vida valiosa só para si, sem dividir com ninguém.
Nós tiramos de nossos cães a necessidade de viver com outros cães, nós mostramos a eles que a vida de “filho canino único” entre humanos pode ser muito boa, muito melhor do viver entre cães, mesmo que o preço seja passar algumas horas sozinho às vezes. Ou seja, eles continuam animais de matilha, mas nós os ensinamos a apreciar a matilha humana ...
Só para exemplificar o quanto nossas atitudes e modo de vida mudaram o comportamento dos cães; nossos cães hoje olham nos olhos das pessoas para tentar entender o que queremos, enquanto nos selvagens, olhar nos olhos é visto como desafio e provoca uma briga. Nossos cães viram a barriga para cima cheios de alegria para ganhar carinho porquê é gostoso, enquanto os selvagens só viram a barriga em sinal de submissão, e nessa hora não estão nada alegres. Nossos cães gostam de carinho e até beijos na cabeça, enquanto nos selvagens colocar a boca ou a mão/pata em cima da cabeça do outro é uma grande demonstração de , dominância.
Vejam bem, eu acho tudo isso ótimo, e adoraria que todos os cães do mundo tivessem um bom lar e donos amorosos por toda a vida, mas o que temos que entender é que tudo isso tem impacto na forma de ser dos cães e uma das conseqüências deste impacto é uma atitude de extrema submissão em relação aos humanos aliada a uma extrema dominância em relação a outros cães, afinal, de aliados, os outros cães passaram a competidores.
Ok, já estou vendo um monte de gente pulando: ”Peraí, meu cachorro adora brincar com outros cães!”. Claro, ele está se divertindo, se exercitando, brincando e relembrando como é ser cachorro. Não está dividindo os recursos (comida, espaço e proteção) nem a atenção dos donos. Ele sabe que voltará para casa sozinho com você, então pode relaxar a aproveitar o momento.
Outro leitor pulando: ”Eu tenho 4 cães que se amam, nunca brigam e fazem tudo juntos”. Que bom! Eu também já tive. Isso nos relembra que cada cão é um cão, e muitos gostam muito de outros cães e vivem felizes (graças a Deus!) com 2, 3 ou mais companheiros na mesma casa. Mas estes não são a maioria, nem o foco deste artigo. Nosso objetivo aqui é entender porquê cada vez mais cães brigam em casa.
É claro que existem detalhes, variáveis e questões de manejo que interferem na harmonia ou não de uma casa com vários cães, mas este assunto já foi abordado pela Claudia, então não vou repetir, mas recomendo a leitura para completar a questão.
A esta altura, você já está pensado: “tá bom, entendi tudo isso, mas então o que fazer para Rex e Fritz pelo menos se tolerarem?”
1. Corpo e mente ativos.
Estudos mostram que os cães selvagens percorrem em média 20km por dia, podendo chegar ao dobro disso em épocas de pouca caça. Fazem várias tentativas e testam diferentes estratégias até finalmente conseguirem comida. Ou seja, exercitam corpo e mente diariamente. Não, não estou pedindo para soltar um coelho do jardim e deixar seus peludos se virarem (que idéia... pobre coelhinho), mas temos que estimulá-los de outras formas. Para quem mora em apartamento ou tem pouco espaço, passeios duas vezes por dia, de meia a uma hora, dependendo do tamanho dos cachorros, em passo acelerado (para eles) são um bom começo. Em casos extremos, pode-se usar uma bicicleta (devagar!), ou até ensiná-los a nos puxar de skate ou patins (os huskies e pits adoram!). O objetivo é cansá-los, desestressá-los e fortalece r o sentimento de matilha, então nada de ficar parando para cheirar o chão e fazer xixi em todos os objetos verticais do caminho. Eles podem fazer uns xixis no início, uns no meio e outros no final, mas só quando você parar e disser que pode (lembre-se que temos que reforçar a sua liderança). Se os cães já brigam, e chegaram ao ponto de não se conseguir levá-los para passear juntos, que saiam várias pessoas, até que se consiga ir aproximando os encrenqueiros.
Quando a situação não é tão grave, (brigas acontecem, mas os cães podem ficar juntos), ou mesmo para evitar que venham a se desentender, pode-se fazer qualquer exercício que faça uma associação positiva entre eles. Ou seja, Rex aprende que nadar e brincar na piscina acontece na companhia de Fritz, correr na praia e jogar bola também, então, Fritz = diversão e Rex passa a gostar mais de Fritz.
Exercitado o corpo, temos que pensar na mente e para isso temos desde exercícios básicos de obediência, até esportes caninos e brincadeiras como procurar brinquedos e/ou pessoas escondidas, ou tirar petiscos de dentro de bolas feitas para este fim. Existem brinquedos onde se pode botar uma refeição inteira dentro e o cão tem que descobrir como tirá-la de lá. Use a imaginação e se divirta com seus peludos!
2. Manter o mínimo de ordem e obediência em casa, e ter atitude de líder.
Embora muita gente ainda resista à idéia, é fato que cães precisam de disciplina e liderança, e não somente de amor e carinho. Infelizmente eles não se auto disciplinam, nem auto-educam, eles precisam que alguém faça isso para eles, e esse alguém é você. Eles têm que achar que nós, donos, somos o máximo, os poderosos, o “Ó do Bobó”, quase Deus! Controlamos a comida, sabemos exatamente o que pode e o que não pode, decidimos a hora dos passeios e de todas as atividades da matilha e impomos as regras disso tudo, enfim, somos sábios, fortes e seguros e sabemos o que é melhor para todos (se você não acredita nisso, finja!). Na cabecinha deles, respeito = admiração = amor = nada de brigas. Isso não quer dizer que você precisa manter sua casa como um quartel, muito pelo contrário, a disciplina deve ser imposta de forma positiva, alegre e amorosa, mas ... sem exceções, com constância e clareza. Todos os habitantes humanos da casa devem decidir e concordar com as regras, e todos devem mostrar aos cães segurança e tranqüilidade quanto a elas. Se os membros da família quebram as regras, mostram aos cães que os humanos são inconstantes e indecisos, o respeito e a admiração são perdidos, abre-se a porta para eles se acharem no direito de disputar a hierarquia, e voltamos ao mundo das brigas. Ah, e um detalhe, o Rex não vai lhe amar mais por quê você quebra as regras quando ninguém está olhando, pelo contrário, ele passará a lhe considerar inconstante e fraco. Lembre-se, para os cães, a base para o amor é o respeito, e quem respeita alguém inconstante e fraco?
3. Castrar machos e fêmeas.
Os hormônios sexuais, como diz o nome, são relativos à reprodução. Reprodução para os cães é necessidade, sobrevivência da espécie, e não prazer. Conseqüentemente, machos intactos vão brigar para decidir quem cruzará e fêmeas no cio também. Mais uma vez voltamos aos selvagens; lá, o perdedor se submete, vai embora, ou morre. Na nossa casa, separamos a briga (não há vencedor nem perdedor) e prendemos um na cozinha e o outro na varanda (ninguém pode ir embora). Fora isso, na natureza os vencedores efetivamente cruzam, enquanto em nossas casas ganhando a briga ou não eles ficam cheios de hormônios e frustrados, pois ninguém cruza, afinal, que dono quer 8 filhotinhos a cada 6 meses !
Então, não é muito mais confortável para eles serem castrados e não pensarem mais no assunto? Muitos não sabem, mas machos castrados que querem cruzar, cruzam (eu já tive dois), então quando eles não cruzam, não é porquê não conseguem, não há frustração, há somente falta de vontade. O que é melhor, viver frustrado 12 anos para cruzar uma vez ou outra por quê o dono acha bacana, ou não pensar mais no assunto? Não entrarei aqui nas outras vantagens da castração, pois já temos um texto sobre isso logo em seguida não deixem de ler. Nos cães de raça, a raça também influi, afinal, os impulsos de cada raça foram selecionados por nós por muitas gerações, e ainda estão presentes em nossos cães de companhia. Infelizmente é inviável falar de cada raça, mas é importante que na hora da escolher um cão, e sobretudo mais de um cão, isto seja levado em consideração. É bem mais provável que você consiga ter 6 Beagles ou 6 Pugs que se dêem bem do que 2 Bullterier ou Jack Russel do mesmo sexo!
Tomadas todas estas medidas, teremos a melhor chance de conseguir harmonia entre nossos cães, e um sentimento de matilha respeitoso e duradouro. Infelizmente às vezes os temperamentos dos cães envolvidos são incompatíveis, e a convivência não será possível. Outras vezes, nós humanos criamos situações tão extremas e irreais, que também não é possível haver harmonia (não dá para ter 10 cães intactos num terreno de 300m2 e querer que sejam amigos!).
Para terminar, temos que lembrar que cães são cães. Não adianta falar, explicar nem argumentar, e nossas regras morais não valem nada para eles (não, ele não acha errado matar o irmãozinho...). Temos que ser donos responsáveis, fazer o que é preciso, e dar a eles condições de viver saudáveis, felizes e em harmonia. Da mesma forma, temos que ter a humildade de reconhecer que certas situações são insolúveis, e que não importa o quanto queremos ter 4 ou 5 cães em casa, se eles forem incompatíveis entre si, não vão se entender e ponto, eles não se importam com o que queremos ou não. Para um cão que vive tenso e querendo brigar o tempo todo, mais vale ser recolocado em uma casa em que seja filho único, onde poderá ter uma vida feliz e relaxada, na companhia de humanos. A separação é dolorosa? Claro, mas a longo prazo, ele será mais feliz e todos viverão em segurança. Manter cães que brigam seriamente na mesma casa, separados permanentemente, é estressante e arriscado. Os cães acabam não tendo a boa vida que teriam se estivessem sozinhos, e se um dia há uma falha humana e um portão é aberto ... o preço pode ser muito, muito alto.
Mas felizmente a maioria dos casos é manejável. Geralmente, com a dedicação necessária e as medidas que colocamos acima (e em outros textos de nosso site), é possível ter harmonia em casa com sua pequena matilha. Então, se seus peludos estão se olhando feio e arranjando encrenca por qualquer motivo, mãos à obra, seja um bom dono, um líder forte e harmonize sua matilha!
Daniela Prado
Os benefícios que os exercícios trazem para os peludos são vários:

* Ajuda a evitar o estresse - infelizmente este tipo de problema tem afetado nossos peludos. Com o aparecimento do estresse alguns cães ficam mais agressivos, ansiosos, depressivos, desenvolvem distúrbios de automutilação, ficam extremamente grudados em seus donos a tal ponto de não deixarem que outras pessoas se aproximem.
* Fortalece a união entre dono e cão, diminuindo problemas de falta de hierarquia – Cães que passeiam regularmente com seus donos tendem a ser mais cooperativos e a aceitar melhor os comandos e o treinamento de obediência. É que as caminhadas fazem com que o cão se sinta mais próximo de sua matilha e por isso respeite mais a hierarquia estabelecida.
* Ajuda a manter os peludos em forma e com saúde, aumentando o tempo de vida - doenças como a obesidade, dificuldades cardiorrespiratórias, predisposição à diabetes estão se tornando cada vez mais comum nos peludos que não fazem exercícios.
* Ajuda a evitar destruição - Evita que o peludo se meta em encrencas como a destruição de móveis, roupas, portas, jardins, paredes (acreditem existem cães tão estressados que destróem até paredes).
* O peludo fica mais tranqüilo - Assim como nós humanos o exercício regular fortalece os músculos, melhora a circulação sanguínea provocando uma melhor oxigenação dos tecidos ajudando a limpar as células de toxinas, aumentam a quantidade de serotonina liberada no organismo, que torna o cão mais relaxado e feliz.
* Evita brigas entre cães da mesma casa – com os passeios é possível criar um sentido de matilha, além disso, mantendo os peludos cansados eles vão pensar duas vezes antes de começar um briga.
Sabendo dos benefícios, temos que ficar cientes que nem tudo é perfeito e alguns exercícios podem trazer conseqüências “ruins”, vou citar alguns exemplos:
* Exercícios como a corrida podem forçar as articulações dos peludos. Nestes casos é melhor praticar uma natação, por exemplo, com o cuidado de secar muito bem o peludo no final para ele não desenvolver fungos e dermatites.
* Raças que tem alguma predisposição genética para algumas doenças como a displasia coxo-femural, ou problemas na coluna, podem ter seus problemas agravados por causa dos exercícios exagerados ou muito intensos.
* Assim como os humanos alguns cães começam a criar uma resistência física muito grande com os exercícios, no início ele se satisfaz com 2 horas de exercício por dia, depois 2 horas não são mais suficientes, depois aumenta para 3, 4, 5 horas, parece que o peludo tem uma bateria recarregável. As raças de trabalho são mais propensas a esse tipo de atitude, mas é um problema raro de ser desenvolvido. Na LordCão só vimos um caso em que nenhum exercício era suficiente para o peludo.
Mas, se colocarmos na balança os prós e contras de se fazer exercícios, acho que a melhor opção ainda é praticar atividades físicas. Existem exercícios que podem ser feito até pelos cães que apresentam algum problema de saúde.
A quantidade de exercícios ideal para cada peludo vai depender da idade, da raça e da existência de alguma doença que possa comprometer a saúde dos peludos. Pra tudo na vida é preciso ter bom-senso, a maioria dos cães consegue sinalizar de uma forma clara quando estão no limite.
Além da quantidade, outro fator de extrema importância é a regularidade. Cães gostam de rotina, por isso não adianta sair com seu peludo uma vez por semana ou uma vez por mês e achar que isso é suficiente. Ponha-se no lugar do seu cão por alguns instantes. Você se imagina saindo uma vez por semana ou por mês? E que tal ficar trancafiado num canil (que na maioria das vezes a metragem é de 2x2) o dia inteiro sem olhar para ninguém? Acho que boa parte das pessoas teria um colapso nervoso.
Sei que muitas vezes chegamos em casa cansados do trabalho, temos que dar atenção ao marido, esposa, filhos. Mas, o cão não tem culpa, temos que colocar o cansaço e a preguiça de lado e fazer bons exercícios com nossos peludos. A partir do momento que compramos ou adotamos um cão, a vida dele está sob nossa responsabilidade. Por isso os exercícios devem ser feitos diariamente. Mesmo para os cães que vivem em casas grandes os passeios são de extrema importância, pois são ótimos aliados para estreitar os laços de amizade entre cão e dono, além de socializar seu peludo com outras pessoas e outros cachorros.
Devemos ter um cuidado especial para cães muito novinhos (até 6 meses) e com idade avançada (a partir de 8 anos). Filhotes só devem brincar soltos e cães mais velhos precisam de um check up anual para verificar se está tudo bem, afinal é a famosa idade do “Condor”, com dor aqui, com dor ali e por aí vai.
Antes de começar a praticar qualquer atividade física com seu peludo, faça uma visita ao veterinário para um ckeck up verificando assim se existe algum tipo de problema como: displasia coxo-femural, problemas nas articulações, problemas cardíacos, entre outros.
Procure fazer os exercícios nos horários em que o sol não esteja torrando a cabeça de ninguém, não queremos que o seu peludo e nem você fiquem desidratados. Falando em desidratação não se esqueça de levar água para o seu peludo. Sempre que for praticar exercícios com o seu peludo, vá aumentando gradativamente o esforço e pare quando houver sinais de cansaço. Abusos podem provocar problemas de coluna, deformidades dos membros anteriores e posteriores e até enfarte.
Existem diversos tipos de exercícios que podemos fazer para nos divertimos com nossos peludos, mas sem dúvida alguma os melhores exercícios são aqueles em que o cão pode estar solto, porém nas grandes cidades este tipo de atividade é bastante complicada de ser realizada por falta de locais seguros e fechados. Sempre gosto de lembrar às pessoas que NÃO deixem seus cães soltos pelas ruas. Por mais treinado que ele seja, em algum momento pode acontecer o pior. Outro detalhe importante é que os cães que são atropelados são os cães que andam soltos. Pode parecer que temos o controle do peludo nessas situações, mas já vimos diversos casos de cães que se perderam dos seus donos porque o confundiram com outra pessoa, ou porque tinha uma fêmea no cio e o cão ignorou o chamado do seu dono (nessas horas a natureza fala mais alto, e não existe treinamento que segure um cão próximo ao seu dono sem uma guia).
Um assunto delicado: castração
Por Claudia Pizzolatto
Ao longo destes dois anos em que venho apresentando o Lord Cão News para os amigos e apreciadores dos caninos, já tivemos alguns assuntos que foram, no mínimo, controversos. Hoje estou apresentando mais um, que sem dúvida deverá gerar um bocado de discussão. E isso é bom. A intenção deste artigo não é catequizar os leitores, nem sugerir que esta é a saída ideal para todos, mas oferecer mais informação para que as pessoas possam pensar e analisar alternativas com menos preconceito. Mas afinal do que é que eu estou falando? Estou falando de CASTRAÇÃO (o termo castração será usado neste texto tanto para se referir à retirada dos testículos do cão macho - não confundir com vasectomia do macho -, quanto à retirada dos ovários e do útero da fêmea). Como não sou veterinária, não vou analisar este assunto em termos clínicos. O foco principal deste artigo é discutir os efeitos comportamentais desta cirurgia. Suas indicações, seus benefícios, e malefícios se houverem.
Bom, mas com tanta coisa agradável para falar sobre os cães, por que eu fui escolher um assunto tão, digamos,... doloroso (pelo menos a grande maioria dos meus clientes humanos, machos, nem gostam de ouvir esta palavra hehehehe)?
A castração ainda é um grande tabu, uma prática que as pessoas ainda vêem como uma mera mutilação e injustiça com os cães. Poucas pessoas sabem que a castração pode ser um meio de ajuda nos problemas comportamentais dos nossos companheiros peludos, e que não é só um meio de evitar filhotes numa casa onde existam machos e fêmeas vivendo juntos.
Não estou, aqui, fazendo apologia do uso da castração como um método indiscriminado e milagroso para resolver problemas comportamentais em cães. Apenas peço que vocês leiam este artigo com interesse e com a mente aberta. Quanto a mim, prometo que vou tentar fazer este artigo o mais simpático, divertido, instrutivo e agradável possível.
Quando eu atendo clientes com problemas de briga entre cães que moram na mesma casa, ou cães que são extremamente possessivos, ou dominantes, ou que marcam o território "deles" (a casa do dono) com pocinhas e mais pocinhas de xixi, e que, por estas e por outras, estes cães já estão com seus dias contados, procuro sempre desenvolver um programa de mudança comportamental que seja ao mesmo tempo eficaz e pouco estressante para dono e cão. Também nestas ocasiões, procuro passar todo tipo de informação que possa ajudar esta dupla a conviver melhor e superar estes obstáculos.
Muitas vezes a castração é trazida como uma alternativa (as vezes a última esperança), e é aí que começam os problemas de ordem física/emocional. Claro que eu, como membro da comunidade latina, entendo perfeitamente que este seja um assunto delicado. Especialmente quando falamos na castração de machos.
Talvez por um problema cultural, é sempre melhor aceita a castração ou esterilização de fêmeas (mesmo que humanas), do que de machos. Mesmo que, segundo os veterinários, a esterilização nos machos caninos seja menos traumática, de recuperação mais rápida, mais barata, e menos arriscada.
Mas vamos voltar aos aspectos comportamentais dos caninos que é o nos interessa no momento. Primeiro, para a gente tirar da frente logo os aspectos técnicos da castração, vamos a algumas informações. Segundo os veterinários, existem pelo menos duas técnicas mais usadas para a remoção dos testículos do macho. Uma é feita através de uma incisão na bolsa escrotal (saquinho) do cão e outra através duas pequenas incisões na base do pênis. No caso da fêmea a cirurgia é feita por uma incisão na barriguinha, onde o útero e os ovários são removidos. Nestas cirurgias é usada a anestesia geral e a maioria dos veterinários orienta seus clientes para que o cachorro tenha no mínimo entre 5 e 6 meses de idade, embora já exista nos Estados Unidos alguns veterinários que operam filhotinhos com 7 ou 8 semanas de vida. A instituição líder neste tipo de procedimento é a Massachusetts Societ for Prevention of Cruelty To Animals do Angell Memorial Animal Hospital de Boston. Como toda cirurgia, principalmente por envolver anestesia geral, existe um certo risco, mas de um modo em geral é considerada bastante segura. A recuperação tende a ser muito rápida.
A castração não deve ser usada como o único recurso para corrigir problemas de temperamento e de maus hábitos do cachorro, mas junto com um programa de mudança comportamental, ela pode ser uma ajuda valiosa e definitiva. Em que casos a castração é aconselhada? No caso de fêmeas são especialmente indicadas nos casos de agressão por proteção/possessividade e para cadelas que fogem. No caso de cadelas que brigam entre si por dominância, existe um estudo que diz que a castração antes dos 2 anos de idade pode piorar a situação em cerca de 50% dos casos.
Isto porque a falta de estrogênio deixaria de compensar o equilíbrio em fêmeas que foram "masculinizadas" durante a gestação (segundo uma teoria defendida por John Fisher - treinador e comportamentalista inglês, reconhecido internacionalmente a masculinização de uma fêmea ocorre quando ela é gerada entre dois machos, ainda na barriga da mãe). As fêmeas "masculinizadas" são aquelas que levantam a patinha para fazer xixi, montam em outros cães e pessoas, e apresentam uma dominância exacerbada entre outros comportamentos atípicos.
Quanto a parte da saúde física não podemos deixar de mencionar que fêmeas castradas antes de atingir a puberdade tem o risco de desenvolver câncer de mama reduzido a praticamente zero e ficam totalmente livres dos riscos de contrair câncer e infecção de útero e ovário. Também estudos sugerem que o problema com gravidez psicológica diminuem consideravelmente.
No caso dos machos parece que a castração tem um campo de benefícios ainda maior (desculpem rapazes!). Num estudo conduzido pela Veterinary Medical Teaching Hospital of the University of California e pela Small Animal Clinic of Michigan State University, sugere que a castração em cães machos pode ajudar significantemente em comportamentos indesejados, como: fugir, agressão contra outros machos, marcação de território com urina, e montar em outros animais e pessoas .
O estudo avalia ainda se a mudança no comportamento foi rápida (mudanças evidentes até 2 semanas após a cirurgia) ou gradual (mudanças em aproximadamente 6 meses após a cirurgia). Embora este estudo não deva ser considerado como sendo uma representação completa e acurada das percentagens de mudança de comportamento, ele serve, sem dúvida nenhuma, como um guia para avaliação das chances de sucesso nesta operação.
Foram estudados ainda os efeitos da castração na redução da AGRESSÃO/DEFESA TERRITORIAL e também na redução da AGRESSÃO POR MEDO, mas em ambos os casos não houve qualquer mudança nos cachorros. Ou seja, a castração NÃO interfere com o instinto de guarda do cão, tampouco o torna menos medroso.
Também NÃO ficou provado que a castração torne os cães letárgicos, embora alguns donos tenham notado que seus cachorros se tornaram mais calmos e mais carinhosos de um modo em geral.
Vale lembrar que, existem diversas causas para um cachorro ser agressivo e a castração não vai influenciar em todos os casos. Além disso, a testosterona (hormônio masculino) não causa por si só a agressão, mas ajuda a "alimentá-la" e a mante-la. É sempre importante entender as causas do comportamento agressivo de um cão e sempre estabelecer um programa de treinamento e mudança comportamental para tentar solucionar o problema.
Veterinários também aconselham que sempre que houver uma piora em relação a agressividade, depois da castração, é preciso checar outras possíveis causas de desequilíbrio hormonal, como por exemplo, hipotiroidismo. Embora não exista uma idade ideal para a castração, é normalmente aceito que a castração antes da puberdade (até 8 meses de idade) ajuda a maioria dos cães a não desenvolver hábitos que demorariam muito a serem corrigidos, mesmo depois do cão ter sido castrado. Além disso, cães castrados antes da puberdade tendem a ficar mais brincalhões e mais suaves nas suas brincadeiras, sendo inclusive melhor aceitos por outros cães, tendem a engordar muito menos depois da cirurgia, e, no caso das fêmeas, a castração antes do primeiro cio é muito mais efetiva na prevenção do câncer de mama.
Já para quem quer ter um cachorro de trabalho, por exemplo para caça e pastoreio, o melhor seria esperar até que o cão tenha atingido a sua maturidade emocional (por volta dos 2 anos de idade) para que os seus instintos naturais se firmem melhor.
Para aqueles que querem participar de competições de conformação e beleza a castração não é uma alternativa, já que cães castrados não podem participar dos shows. Para aqueles que estão preocupados com o fato de que cães castrados tendem a ficar mais gordinhos, saibam que basta manter uma rotina diária de exercícios e reduzir de 10% a 20% as calorias de sua dieta.
Em compensação existem algum mitos sobre cachorros intactos que devemos esclarecer. Cães machos não ficam mais estáveis emocionalmente só porque cruzaram. O mesmo pode ser dito para as fêmeas. Muitas pessoas acreditam que suas cadelas ficaram mais calmas e responsáveis depois que tiveram a sua primeira ninhada, mas o que acontece na verdade é que a maioria das cadelas cruza no segundo ou terceiro cio (entre 1 ano e meio e dois anos), época em que ela está naturalmente atingindo a sua maturidade emocional.
Para ilustrar casos de sucesso com a castração dos peludos, ai vão algumas histórias reais. Uma grande amiga minha possui 6 cachorros de raça grande. Três machos (um Labrador, um Rhodesiano e um Bouvier de Flandres) e três fêmeas (duas Bouvier de Flandres e uma Rhodesiana). Quando o machinho Bouvier começou a chegar na puberdade (com cerca de 8 meses de idade), os problemas de briga entre os machos começaram a acontecer. O Leão da Rhodesia, que é extremamente disciplinado e submisso dentro da sua matilha (embora ele seja o melhor cão de guarda da turma e o mais agressivo com cães estranhos que invadam seu território) passou a ser sistematicamente atacado pelo Bouvier, toda vez que o Labrador (líder da matilha) tentava evitar que o Rhodesiano se aproximasse da dona. Era só o Labrador segurar o Rhodesiano (gentilmente e' verdade), que o Bouvier vinha com grande agressividade e passava a mordê-lo nas coxas traseiras. Muitas brigas e pontos depois a dona finalmente desistiu de deixar que eles aprendessem a se comportar bem e levou todo mundo para castrar. Três semanas depois da cirurgia já se notava uma mudança significativa no comportamento dos machos que nunca mais brigaram e estão muito mais tranqüilos. Ah! e ninguém ficou ridicularizando ninguém ou desconfiando da masculinidade do Cãopanheiro :-). Na verdade a mudança no comportamento indesejado deles foi tão expressiva que minha amiga resolveu que vai castrar também as fêmeas (que já estão começando a se olhar meio atravessadas), além do que vai evitar que os cachorrinhos da vizinhança sejam deglutidos pelos cães da casa, pois os intrusos não conseguem se controlar quando as meninas entram no cio.
Um outro caso interessante é o da minha cunhada. Ela tem um Poodle macho de 6 anos que há 4 anos vem tentado matar o meu irmão. Fizemos um programa intenso de recondicionamento do bichinho, mas eles não conseguiram levar adiante. Finalmente, depois de 2 anos perturbando a minha cunhada, ela resolveu considerar a castração do filhotinho de diabo da tasmânia. Já faz 6 meses que ele foi castrado. A relação com o meu irmão melhorou muito, embora continue, digamos, delicada, mas com as pessoas em geral ele melhorou 200%. Antes da cirurgia ele não podia nem sequer ser acariciado. Sempre rosnava e tentava morder qualquer um que tentasse chegar perto da dona. Hoje ele está tão mais relaxado e feliz que não precisa mais ficar sozinho e trancado no apartamento quando a família sai para passear. Agora ele já pode ir aos passeios e é muito bem-vindo na minha casa. Nunca mais aconteceram brigas entre ele e o meu cachorro. A vida deste cachorro já mudou tanto que tenho certeza que todo o ambiente a volta dele irá ajudar a mudar o que resta de dominância, disputa, e desconfiança com os humanos e machos em geral.
E pra não dizer que a gente não toma do próprio remédio, devo informar que também já estamos preparando o nosso cachorro. Isso mesmo o próprio Bife já está na fila de espera para uma castração. Ta bem, ta bem, não precisam ficar escrevendo pra ele para informá-lo das minhas intenções. Deixem que quando chegar o momento certo eu conto pra ele com todo o carinho... talvez no meio de um churrasco, onde ele possa pensar mais na picanha que está saindo da churrasqueira do que nós..... ai coitadinho (hehehhehe)
Por que nós vamos castrar o Bife? Porque não vejo nenhum motivo razoável para mantê-lo intacto. Nós não pretendemos cruzá-lo. Além de ser muito difícil achar uma fêmea da mesma raça que ele, não vejo motivos para satisfazer meu ego com uma ninhada do meu filho macho pródigo e nem aconselho que a maioria dos mortais possua um Jack Russell Terrier. Eu sei muito bem a encrenca que é. Não existe nenhuma contra-indicação médica quanto a castração e na verdade ele só irá se beneficiar deixando de correr riscos de contrair câncer nos testículos e na próstata. Além disso, tenho esperanças de que ele faça parte dos 63% de cães que deixam de ser agressivos com outros machos. Hoje esta é uma condição que limita bastante a interação do Bife com outros cães e tenho certeza de que ele vai adorar brincar com outros amigos se deixar de vê-los como competidores e inimigos em potencial.
O único motivo para não termos ainda feito a cirurgia é que estamos tentando encontrar uma prótese de silicone para colocar no lugar das bolinhas originais. Isso mesmo, para aqueles donos que, como o meu marido, acham que dói na própria pele olhar um cachorro macho sem o saquinho, já existem no mercado próteses de silicone (que não vazam como os famosos peitões de silicone usados pelas fêmeas humanas, especialmente da série SOS Malibu :-D) que podem ser colocadas e mantém a aparência natural dos caninos. Tudo pelos humanos, já que os cães não dão a mínima para estes conceitos estéticos.
E pra finalizar, lembramos que a melhor pessoa, sempre, para tirar as suas dúvidas, deixá-lo tranqüilo e confiante, e para cuidar do seu animalzinho é, sem dúvida nenhuma, o seu veterinário de confiança. Portanto, não deixe nunca de conversar com ele antes de tomar uma decisão quanto a castrar ou não o seu animal, quais os riscos envolvidos e qual a melhor época para fazê-lo.
E não podemos deixar de pensar um pouquinho na super população dos cães, especialmente nos de rua, que vivem em condições absolutamente indignas.
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