Alimentação

Muito se discute quanto à melhor e mais adequada alimentação. Ração e alimento fresco tem suas vantagens e desvantagens. Analisar o quotidiano familiar, junto às necessidades particulares do animal, é fundamental para obter sucesso na sua nutrição. Para tanto, torna-se indispensável a consulta a um Médico Veterinário, que ou indicará o melhor cardápio fresco, ou a ração mais indicada ao cão para cada estágio de vida.

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Cães filhotes, adultos e mesmo velhos podem ser incitados a trocar o hábito alimentar, passando da comida caseira à ração e vice-versa, dependendo da necessidade. Independente de como for a troca, esta deve ser mais gradual à medida em que aumenta a idade do animal, já que este pode se mostrar mais resistente fisiológica e/ou psicologicamente à mudança alimentar.

Independente do alimento, uma prática salutar é determinar horários em que a alimentação será ministrada. Um dos conselhos mais comuns que ouvimos envolvendo animal e ração é "não dê muita comida para o peixe, pois ele morre pela boca...". Bem, essa afirmação tem sua parte verídica.

Não somente os peixes, mas todos os seres vivos, animais e vegetais, morrem pela boca, quase literalmente. É fácil observar que populações que cultuam a "vida moderna", aproveitando-se ao máximo dos fast-food, desenvolvem sérios problemas do sistema digestório. Também vemos que um vegetal mal nutrido muitas vezes nem floresce...

Com o passar dos milênios o ser humano se deu a liberdade de domesticar diversos animais, criando e extinguindo espécies. Nesse processo, tratou também de modificar o hábito alimentar dos animais.

É bem verdade que quase a totalidade dos cães e gatos e muitas aves que convivem conosco não "existem" na Natureza, ou seja, são raças ou mesmo espécies (mais no caso das aves) criadas pelo homem.

Ao analisar cão e gato, percebemos que o primeiro adaptou-se mais às "vontades" e personalidade do ser humano. Já o gato, no seu curso evolutivo, manteve algumas características mais "selvagens", ou naturais, digamos.

A Nutrição Animal é uma área em amplo desenvolvimento. Basta consultarmos nossos avós e bisavós para ficarmos quase horrorizados com a alimentação fornecida aos pobres cães e gatos de antigamente. Hoje, dezenas e dezenas de rações são oferecidas, secas e úmidas, para as mais diversas situações e condições.

Rações light, diet, para animais com dificuldades absortivas, para animais de trabalho pesado... A infinidade de tipos (e preços) leva o proprietário às mais diversas escolhas. Apesar de um amplo controle da indústria alimentícia animal pelos órgãos competentes, muitas rações não são adequadas ao manejo de alguns animais, valendo a pena sempre consultar um Médico Veterinário para que este indique, além de uma ração de qualidade, a mais adequada ao seu animal.

Também há prescrições do Médico Veterinário para uma alimentação caseira balanceada, caso seja essa a opção do responsável ou a necessidade do animal. Ambas, ressalte-se, são válidas e deve-se estudar caso a caso as necessidades em questão.

O acontecimento mais comum é a troca de ração entre espécies. Este fato pode provocar distúrbios gastrointestinais a curto e médio prazos, e danos renais e hepáticos a médio e longo prazos, geralmente irreversíveis.

Por exemplo, muitas vezes vemos que cães têm verdadeiro apreço por ração felina. A razão disso é que o gato possui um paladar mais apurado, obrigando que a ração seja mais saborosa. Mas há um pequeno porém: a ração de gato possui uma substância que é indispensável a esse animal, a taurina.

Essa proteína está presente na ração pois o gato não é capaz de sintetizá-la, e tem importante papel no metabolismo felino. A falta dessa proteína, a médio e longo prazos, provoca degeneração de retina e cardiomiopatia. É dispensável na nutrição canina, sendo que a presença em excesso desse nutriente (e entenda-se por excesso simplesmente a quantidade presente na ração felina) provoca disfunções nutricionais e metabólicas no cão.

Outro fato comum, ainda nesse quesito, é o oferecimento de ração canina ou felina a iguanas. Muitas pessoas justificam esse fato dizendo que o iguana, em sua fase juvenil, precisa ingerir proteína animal... Bem, há uma grande diferença entre a proteína animal contida num inseto e a proteína animal contida numa ração canina ou felina, tanto em termos de quantidade e tipo de proteínas, quanto à diferença nos demais componentes (vitaminas, minerais etc.).

A ração é um alimento relativamente novo. Há duas décadas era bastante raro ouvirmos falar em ração, e somente as famílias mais abonadas se utilizavam dessa "praticidade". Atualmente, há no mercado rações bastante acessíveis, muitas das quais bem satisfatórias em termos nutricionais. Porém, a escolha sempre deve ser muito criteriosa e orientada.

Geralmente as pessoas escolhem a ração apenas pela porcentagem de proteína bruta, o que não é correto. Devemos observar a composição como um todo, além de saber se a quantidade de proteína especificada atende às necessidades do animal, já que há grande diferença entre energia bruta e energia metabolizável.

Podemos pensar: "se na Natureza os animais não possuem ração, e se antigamente nossos avós e bisavós davam comida caseira aos animais e estes eram saudáveis, por que devo utilizar ração?" Alguns Médicos Veterinários recomendam a comida caseira a alguns animais, o que não tem nada de ruim ou contra-indicado, mas geralmente apenas em casos em que os pets não se adaptam a nenhum tipo de ração que o proprietário possa adquirir.

Temos que considerar que, em ambiente selvagem, os animais têm acesso à mais variada gama alimentar, seja vegetal ou animal. Isso garante um equilíbrio, tanto em termos de quantidade como em qualidade. Em cativeiro, esse acesso fica restrito, o que provoca distúrbios nutricionais. Por mais tempo que viva um cão que só se alimenta de polenta com pescoço de frango, sua saúde não se equivalerá a de um cão da mesma idade que só tenha se alimentado com uma dieta caseira equilibrada ou de ração com qualidade.

Em muitos casos também opta-se por dar comida caseira, principalmente ao cão, por este não querer simplesmente a ração. Ao consultar um Médico Veterinário, este passa um verdadeiro "menu" diário: frutas, legumes, verduras, tubérculos, raízes, grãos etc. etc...

Esta prescrição pode dar trabalho, mas é essencial para que possamos garantir, por toda a vida do animal, uma saúde plena e equilibrada para cada fase de sua vida. Então, caso seu animal simplesmente não queira a ração, ou então seu organismo não se adapte a ela, não há nenhum problema, em seguir corretamente a dieta caseira!

A infinidade de rações existente muitas vezes leva o proprietário a ficar em dúvida em qual fornecer ao animal. Sabemos que nem sempre o mais caro é o melhor, e que o mais barato nem sempre é o pior. Isso é verdade, mas infelizmente não em todos os casos.

A pesquisa no campo da nutrição é dispendiosa e demorada, de modo que, por vezes, o custo do produto final torna-se inviável para a maioria das pessoas. Mas isso não quer dizer que rações mais acessíveis sejam necessariamente de baixa qualidade. Novamente aqui indicamos que consulte um Médico Veterinário e peça-lhe opinião.

Existem rações básicas, linha Premium e linha Top. As primeiras possuem componentes menos nobres em sua composição, sustentando bem o animal, mas por vezes causando-lhes danos orgânicos a médio e longo prazos.

Nesses casos, o Médico Veterinário pode indicar alguns alimentos frescos, que complementarão assim a qualidade nutricional da ração. As linhas Premium e Top possuem componentes mais nobres, como carne de aves e vegetais, o que eleva consideravelmente a qualidade nutricional e, com isso, a saúde do animal.

Infelizmente, em muitos casos, tais rações estão fora do orçamento familiar. Mas vale a pena refazer os cálculos orçamentais e, na medida do possível, direcionar para a compra de uma ração de qualidade superior. Alguns efeitos são vistos de imediato, como brilho e maciez do pêlo, brilho dos olhos, disposição geral do animal e boa constituição física.

Mas o mais interessante são os efeitos a longo prazo: o animal tem sua expectativa de vida aumentada e, o mais importante, com qualidade de vida. Um animal que consuma a vida toda ração de qualidade, devidamente vacinado e vermifugado, constantemente acompanhado por Médico Veterinário, literalmente morre de velhice. Tal conduta, em princípio, pode parecer dispendiosa. Mas o gasto mais constante fica por conta da ração.

Qualidade de comida caseira

Há uma infinidade de formulações caseiras que podemos fornecer aos nossos amigos. A primeira coisa que deve prevalecer é o bom senso, e pensarmos: “se ele estivesse na Natureza, qual seria sua alimentação?”. Óbvio que a resposta nos leva a não dar café para o papagaio e chocolate para o gato.

Outro cuidado muito importante é compreender o trato digestório de cada animal. Um pássaro possui metabolismo bem diferente do de um cão, e mais diferente ainda ambos do de um cavalo, por exemplo. Assim, para cada animal, a preparação da ração caseira é fator fundamental para que possamos proporcionar a nutrição adequada a ele.

Em geral, podemos adotar como regra que, quanto mais triturado estiver o alimento, melhor para a absorção dele. Você já deve ter visto, ou alguém comentado, sobre ver alimentos saindo inteiro nas fezes do animal. Isso tem uma causa: a velocidade de processamento do trato digestório, em geral muito mais rápida nos animais (excetuemos aqui os ruminantes) que nos seres humanos.

Não basta apenas triturar bem o alimento, se este não é de qualidade. Claro que não é necessário comprar as opções mais caras, mas devemos sim comprar as mais saudáveis. É aqui que entra essencialmente o Médico Veterinário, que diante das possibilidades do dono, prescreverá a melhor combinação diária de alimentos.

Outra tentação que temos que resistir é fazer um pouco mais de arroz ou de carne e aproveitar isso na alimentação do animal. Geralmente colocamos condimentos ou temperos básicos que, por vezes, seja a quantidade ou o tipo, podem trazer desconforto ao animal. Essa opção não é proibida, porém só deve ser praticada sob orientação veterinária.

Tome muito cuidado com o armazenamento dessa alimentação. Não precisa cozinhar todos os dias, mas um arroz com 15 dias também não é recomendável... Programe-se para cozinhar o menos possível, porém com data-limite para garantir a qualidade nutricional do alimento.

Os animais possuem hábitos alimentares diferenciados. Dependendo da formação acadêmica e/ou da prática de criação, há vários métodos de alimentação. Proporemos alguns, juntamente com o alimento mais adequado. Contudo, novamente alertamos ao leitor para que peça opinião ao Médico Veterinário de sua confiança.

Cães

Os cães podem receber alimentação de maneira fracionada. No caso das rações, na embalagem há especificações sobre a porção, em relação ao peso, porte e idade. Geralmente pode-se seguir:

porte número de refeições
até 6 meses 6 a 9 meses 9 a 12 meses acima de 12 meses
pequeno 4 4 3 2
médio 4 4 3 1 ou 2
grande 4 3 2 1 ou 2
gigante 4 3 2 1 ou 2

Principalmente em ambientes úmidos, desaconselha-se deixar a comida o dia todo disponível, pois absorve água e azeda. Além disso, principalmente aos cães destinados à guarda, deixar alimento disponível à noite é convidá-los a tirar uma boa soneca após o lanche da madrugada.

Cães de qualquer idade podem ser regrados a comer em determinado tempo. Para filhotes ou adultos, o procedimento é o mesmo: consulte a embalagem e separe a quantidade recomendada de ração; fracione-a de acordo com o número de refeições da tabela anterior; estabeleça horários fixos para oferecer a ração.

Por exemplo, ao servir:

  • 4 porções: 7h00, 12h00, 17h00, 22h00
  • 3 porções: 8h00, 16h00, 21h00
  • 2 porções: 8h00, 18h00
  • 1 porção: 18h00

Claro que são apenas sugestões de horários, que deverão ser adequados à rotina familiar. O importante é que, em qualquer horário, a comida fique disponível por um período curto de tempo, por exemplo 30 minutos no início do treinamento e 15 minutos após o animal adquirir o hábito.

Após esse tempo, retire o alimento e forneça apenas a próxima refeição. Se nesta o cão ainda não comer, retire e forneça apenas no terceiro horário, e assim sucessivamente. Em um ou dois dias, o cão perceberá que possui apenas um determinado tempo para se alimentar, e o fará assim que for servido.

Com isso, podemos proporcionar o desenvolvimento correto do cão, comendo a quantidade recomendada de comida. Mais ainda, caso o cão adoeça e pare de se alimentar, de pronto perceberemos a anormalidade.

Principalmente os cães que ficam no quintal precisam seguir esse hábito, pois o alimento pode ser um atrativo a outros animais, como baratas, camundongos etc., que podem trazer doenças bastante difíceis de tratar.

Há um pensamento errôneo de que, ao disponibilizar comida o dia todo, o animal come mais. Na grande maioria das vezes, por "beliscar" o dia todo, o cão acaba comendo menos que o necessário.

A água deve estar disponível dia e noite, sempre fresca e limpa.

Gatos

Os gatos possuem hábitos alimentares diferentes dos cães. Neste ponto, alguns Médicos Veterinários e Criadores adotam posturas diferentes: alguns preferem particionar a refeição e servi-la duas ou três vezes ao dia; outros preferem deixar a ração disponível o dia todo.

No segundo caso, aconselhamos colocar pequenas quantidades de alimento, forçando uma ou duas reposições ao dia. Com isso, este permanece sempre fresco.

Notamos que a ração seca felina possui um grau de umidade, e por vezes oleosidade, maior que a ração dos cães. Isso faz com que a ração demore mais tempo para começar a se deteriorar, possibilitando o oferecimento contínuo.

A ração em pasta é servida em separado, em horário determinado. Caso você opte por misturar a ração úmida à seca, a única alternativa é seguir horários pré-estabelecidos para refeições. Mantenha água sempre disponível, fresca e limpa.

Muitas pessoas adquirem o hábito de servir leite ao gato. Não é um hábito condenável; apenas preste demasiada atenção se o leite não provoca diarréia no animal. Estudos comprovam que os gatos (assim como os cães) perdem a capacidade de metabolizar lactose (o açúcar do leite) conforme crescem.

Essa perda capacitiva, muitas vezes, faz com que o organismo reaja com diarréia. Nesse caso, suspenda imediatamente o fornecimento do leite.